o limite da parabólica
[[[[sobre curvas e capturas, interferências e sinais]]]]
Sábado, Fevereiro 25, 2012
Segunda-feira, Janeiro 02, 2012
Sexta-feira, Dezembro 16, 2011
Viver de poesia, de Elisa Lucinda.
Trazê-la em estado de circulação
é mais que assumi-la sangue
de tanto me afundar no mangue
decorei o caminho do emergir
a volta do desmaio
do cair em si em mi
e mais todas as notas do percurso e escola.
Há tanto o que transar com a poesia
que tenho estado com ela sem nenhum projeto de anticoncepção
falá-la então é o VT desse sexo explícito de procriação
com direito a prazer e gozo em cada dobra de rima
Trazendo-a em estado vivo exerço a alquimia
de atropelar o efêmero
com o doce trator da perpetuação
agarrada aos motivos eternos
dos versos que eu escrevi
latejante exposição em estado de música e fotografia
é o que faço aqui
e aqui chego com meus cães:
sigo tudo de acordo com as ordens do Deus poema
que é o fiel domador.
e inda faço gracinhas
elefante, golfinho, leão, macaquinho,
sopro, tambor, teclado, cavaquinho
vou bebendo vinho.
Há tanto o que fazer com a poesia
Há tanto o que namorar com a poesia
Há tanto o que compreender com a poesia
Há tanto o que viajar com a poesia
que eu com esse excesso de bagagem
passo na cara do vigia
de mãos vazias.
Mas tamanha é a magia
que toda a muamba que ninguém via
agora se esparrama no palco:
ela rainha, galinha
sambando no pedaço,
minha rainha poesia
e de salto alto.
(Rio, verão de 1991)
Sábado, Dezembro 03, 2011
Para ser reescrito.
Sábado, Novembro 26, 2011
Sexta-feira, Novembro 04, 2011
Na padaria
Eu entendi. É que na padaria, às vezes, a gente pode presenciar um momento de sabedoria.
Sábado, Outubro 29, 2011
Sexta-feira, Julho 22, 2011
sopro tímido de voz.
Terça-feira, Abril 26, 2011
Segunda-feira, Abril 18, 2011
Hatoum
Quarta-feira, Março 30, 2011
um achado no final do caderno vermelho
Sábado, Março 19, 2011
Quinta-feira, Março 03, 2011
Moonage Daydream
Terça-feira, Fevereiro 15, 2011
saúde pública
Sábado, Fevereiro 12, 2011
Aula
E muitas são as surpresas simples, as mais bonitas de ver, um orgulho só.
Segunda-feira, Janeiro 31, 2011
erótica
... e se eu o abraço fundo, parece mais que eu abraço a mim.
Sábado, Janeiro 29, 2011
Sexta-feira, Janeiro 21, 2011
abertura
Domingo, Janeiro 16, 2011
flashes de janeiro
| A gente esteve na praia de Bacutia, uma das que acho as mais bonitas da região. Essa praia, salvo engano, é parte da Enseada Azul, Nova Guarapari. |
| Companheiros de viagem. |
| A foto com o bombom é um clássico de quem vai a Garoto. A competição com as crianças para poder tirar a própria foto é feroz. |
| Esse foi um dos meus tons da viagem. Uma saudaaaaaade de quem ficou! E, chegando... uma saudaaaaaade da maresia... |
| Reencontramos Cíntia... no dia da moqueca da despedida, num lugar ótimo em Vila Velha. |
| E o casal dos velhos tempos se reencontrou também. |
| Tentei tirar umas fotos (e o carro em movimento) dos morros capixabas, antes da divisa com Minas Gerais. |
| Até que a gente achou esse lugar, que mais parecia Minas Gerais, com café e tudo. Mas ainda estávamos no Espírito Santo. O café de lá é uma delícia. |
Allyson aproveitou para meditar... |
| E eu viajei mais um pouco. |
no flashback
Domingo, Dezembro 19, 2010
superviva
Superviva
Eu estive no sol,
sei como é o sol,
corri na areia e vi o final da tarde, o dia caindo.
Eu vi e digo que os raios podem também ser azuis.
Imagem sem reprodução, o ocaso é ao vivo:
as cores do céu são difíceis de transformar em pintura,
altura, racio-passio-nal.
Superviva, essa idéia ampla de céu e cor.
Salve a palavra mar, a palavra mar, que não precisa nada,
é preciso só superviver,
sol superviver.
vanessa soares de paiva.
Sexta-feira, Dezembro 17, 2010
Terça-feira, Dezembro 07, 2010
Love will tear us apart
Quarta-feira, Novembro 24, 2010
no princípio era augusto de campos
Campos quis se definir, e citou E.E.Cummings, que disse certa feita ser um "small eye poet". A partir daí, criou a expressão que tenta defini-lo: "an ear eye poet, que faz poesia para ouver". Na mosca.
Terça-feira, Novembro 23, 2010
21 de novembro em flashes - Morumbi
| O pessoal. |
| Na chegada. |
| Quase lá. |
| A chegada, bem tranquila. Pouco mais de seis da tarde. |
| Vista da lateral do palco - nossa entrada foi pelo portão 2. |
| Essa foi a visão do palco que tivemos. |
| calor do momento. |
| Na saída. Dá pra sentir o calor do Morumbi? |
| Foto tirada às pressas, enquanto Bia gritava: "Não vai dar pra andar separado, não, senão cada um vai pegar o seu próprio táxi". Foi mais prudente ter uma foto desfocada do que discutir com ela. |
Quarta-feira, Novembro 17, 2010
piada interna
Quarta-feira, Novembro 10, 2010
Domingo, Novembro 07, 2010
Quarta-feira, Novembro 03, 2010
Sexta-feira, Outubro 08, 2010
parte rima em particípio.
minhas maiores gargalhadas dei acompanhada
ando com saudade de uma vida desvairada
e ela não demora a voltar.
andei a ouvir poemas em bocas, descobri um primo aluno meu, andei pela noite e acabei voltando pra casa.
a ioga tem me mostrado como vão meus apoios.
posso dizer coisas sérias e com um tom adequado (por exemplo, em hiato há um hiato), mas sei que meus alunos já entenderam meus maus exemplos.
cu não tem acento, viado não dicionarizado é com i, não confiem na literatura, aquilo não é de verdade, esteja bem entendido, sabem o que efeito de realidade em literatura? nosso querido amigo é tão popular que vai ler um texto pra nós, já leram uma crônica cabeluda? arnaldo antunes e carlito azevedo são superlegais e a bertoleza, coitada, cortou as tripas, e guimaraens escreveu para uma noiva defunta (não, o defunto autor é outro).
ando com a cara, a coragem e a frase feita, estou sonolenta há duas semanas e quero passar um weekend com você.
a la twitter, lembrando caion
bem, o palavrão é cortesia da casa, nem precisávamos dele.
e se fosse o caion dizendo seria: entusiasmaaaaado pra caraaaaaaalho!!!!!
Sexta-feira, Setembro 24, 2010
Parte um – manhã de terça.
Quando cheguei à cidade do Rio eram cinco da manhã. Procurei um café preto e sentei para ler o que trazia comigo: uma cópia da dissertação. Pensei: que resumo mesmo foi o que eu enviei? Procurei entre os papeis, encontrei: era um resumo que envolvia pelo menos uns dois capítulos da dissertação, com o que parecia haver de mais razoável deles. Gostei do resumo, eu que não lembrava mais o que tinha enviado para o evento. Café a postos, sentei-me num ponto a meu ver muito bom para a observação, reli os capítulos saltando parágrafos – sem os saltar de fato, mas era algo que acontecia porque eu era atormentada pelo pensamento de que, fora do ambiente ordinário de todos os dias, é possível concentrar-se de maneira distinta, mais atenta (eis que assim eu própria me mentia). Percebi um moço sentado mais à frente que vez em quando me observava. Parei a leitura para ver se de fato eu o conhecia. E é engraçado isso também, a necessidade de, estando em outro lugar, encontrar alguma coisa que nos remeta a nós mesmos, em lugar anterior àquele. É um movimento interessante, se se pensar que é preciso mudar de lugar, pela inconstância mesmo, e pela necessidade de buscar outra coisa (ah, Dulce Veiga) mas que, ao mesmo tempo, quer-se um lugar para chamar de próprio – e poderiam ser muitos os lugares próprios. Ah, e não, não parecia ser um conhecido o moço do café da rodoviária – mas ele parecia muito um moço que estuda (estudou?) no ICHS, na História, se me parece. E naquela hora pensei que de repente ele me observava por causa da minha mania boba de rir sozinha – às vezes de falar também. Podia ser.
Dentro do primeiro ônibus, arrumo companhia para o segundo café, e o mais engraçado do dia, acompanhado agora de pão de queijo, já no prédio da Letras. É Antônio Carlos, funcionário da UFRJ, que veio com tudo e com todas as cantadas possíveis – a melhor delas foi: sabe que eu sempre tive namoradas mais altas do que eu? Autopromotor de si mesmo (haha) em elevadíssimo grau, e falastrão como muitos cariocas que eu conheço, Antônio Carlos falou pra mim que, ainda que eu não desse meu telefone para ele, ele ia ver na programação do evento o meu nome completo e ia me procurar no Orkut. Essa devia ser uma ameaça, que eu respondi coma boca cheia, típica de quem não vai falar naquele momento. E ri muito com ele, que apertava os olhos pra falar comigo, e ajeitava os óculos escuros na testa. Ele me contou histórias de várias mulheres com as quais ele já tinha saído, e eu ouvia com gosto, dando vários palpites – do porquê de a modelo fotográfico tê-lo trocado por outra moça mais jovem, da moça loira que foi embora pra Bahia, da outra que pagou a faixa preta de judô pra ele (e ele que não tinha o menor jeito de quem luta judô, ainda mais faixa preta). Agora imagine tudo isso contado com aquele sotaque arrastado. Adorei conhecê-lo porque ele falou tanta bobagem comigo que eu até dei uma relaxada, eu que tinha viajado a noite inteira – e, claro, aproveitei o café, tomado em espaço aberto, antes de entrar no prédio da Letras.
Agora sim o evento
Era o I Encontro do Fórum de Literatura Contemporânea da UFRJ. A primeira mesa da manhã me deixou eufórica. A segunda, emocionada. O intervalo entre elas, animada e decidida: acho que meu lugar de pesquisadora está ali.
A primeira mesa teve como título “Da ficção do século XXI”. Soube que há uma professora da UNICAMP que estabeleceu uma tipologia para a literatura brasileira contemporânea, e depois vou pesquisar a respeito. Essa tipologia divide as obras de acordo com as seguintes temáticas: mistério, amor, urbana, política, drama familiar, autobiografia, homenagem. Não sei o porquê de se precisar isso, mas parece que esse trabalho foi feito juntamente com uma professora francesa, essa si m presente no evento, que falava em um português excelente (que vacilou apenas na pronúncia da palavra “êxito”, quando ela disse um “e” aberto). Essa professora falava sobre as traduções da literatura contemporânea brasileira na França. Ela disse ainda que o que tem sido estudado em termos dessa literatura na França é a relação entre as figurações da cidade/paisagem, e da paisagem/problemas urbanos, em escritores como Daniel Galera, Ajzemberg, Bonassi, Evandro Ferreira, Marcelo Mirisola – esse último malvisto, dada a sua predileção pela linguagem chula, que os franceses não admiram muito. Ora, ora. Mirisola, associado a Nuno Ramos, foi tema da segunda comunicação da mesa, que estabeleceu um ponto de vista que achei muito bom: o de se pensar a cultura contemporânea a partir do conceito de abjeção, presente em Bataille e Kristeva. Outra comunicação tentou estabelecer o roteiro que levou a literatura nossa a ser o que é hoje, dos anos 70 pra cá (movimento que Flora Sussekind já fez muito bem, em “Literatura e vida literária”), incluindo autores que Flora Sussekind não incluiu, mas sem lhe alcançar o brilho. E a última comunicação dizia respeito ao estudo de três romances de Rubens Figueiredo, ex-aluno da UFRJ, que ainda não li. Achei interessante o fato de um professor estudar a obra de um ex-aluno. Normalmente o que se vê é o contrário.
Da segunda mesa, “Da atualidade da poesia”, sou obrigada a citar nomes, porque o encontro de Eucanaã Ferraz, Antonio Cícero, Chacal e Heloisa Buarque de Holanda para mim foi inédito e emocionante. A conversa foi deliciosa. Estou com os flashes todos muito vivos ainda comigo. A palavra precisa de performance. Performance para soltar a palavra – seja pela mídia, seja pelo corpo. Se já me roubaram o marginal, agora me roubam o CEP. Quem tem capa dura e folha de guarda luxuosa é clássico. Quem faz livro de memórias, então! Os anos 70 trazem e não trazem saudade. O século XXI é o século da palavra. O melhor momento da cultura brasileira é sempre o hoje. Tudo demorou muito até que publicasse. Às vezes é tudo muito lento mesmo. O processo de entendimento das coisas não vai deixar de ser um processo individual. Corpo é carne e tempo. Literatura é forma e reflexão, sem engajamento, e entendimento e imaginação, como propôs (o último par) Kant.
Da manhã, guardo com uma confiança que ganhou um ponto os olhares e dizeres de Angela e Tania. É uma certeza misteriosa, mas que não deixa de ser certeza, a de que encontrei possível interlocução. Da comunicação que apresentei, guardo com vigor as palavras de Paulo César, Daniel e Rosa. Do valor da pesquisa até o momento em que ela parou (porque é preciso parar em um momento, senão o mestrado é eterno). Do apoio para continuar a pesquisa no RJ. Do ânimo para projetar o ano que vem como o ano de pensar o projeto. E gostei. Voltei eufórica.
Saí do RJ rumo a JF. Fiquei na pousada de uma outra vez, no pé de uma das entradas da UFJF. Tive o banho sabotado pela energia que caiu, e o terminei no frio mesmo, o que deu uma energizada e ao mesmo tempo uma relaxada que me botou pra dormir. Dia seguinte, entreguei os trabalhos, mas não senti nada. Peguei meus comprovantes, agora sim oficiais, da defesa, quase um ano depois. Não senti nada. Fiquei foi com uma vontade de ir logo embora. Peguei meus livros de volta, um material que estava por lá. Revi os espaços que outro dia comentei aqui, o Palace tá revitalizado, o Mascarenhas iluminado e a Halfeld cheia de gente. Não senti alívio, raiva, alegria, nada. Só vontade de continuar viagem, e um cansaço dos dias anteriores.
E hoje faz um ano. Um ano desde a defesa. Um ano vivendo uma espécie de mágoa, orfandade, tristeza. Tudo isso que agora pretendo reverter em forma de continuidade. Continuidade de algo em que pode ser até que a banca não acreditasse, mas agora achei quem. Achei por onde. E vou continuar. Porque acredito. E encontrei ouvidos, e mãos estendidas. Que dependem, não menos, de meu próprio esforço. Eu sei. Eu sei. Eu sei. E hoje não tenho mais medo. Amanhã não sei.
E para todos nós, Antonio Cícero:
O PAÍS DAS MARAVILHAS
Não se entra no país das maravilhas
pois ele fica do lado de fora,
não do lado de dentro. Se há saídas
que dão nele, estão certamente à orla
iridescente do meu pensamento,
jamais no centro vago do meu eu.
E se me entrego às imagens do espelho
ou da água, tendo no fundo o céu,
não pensem que me apaixonei por mim.
Não: bom é ver-se no espaço diáfano
do mundo, coisa entre coisas que há
no lume do espelho, fora de si:
peixe entre peixes, pássaro entre pássaros,
um dia passo inteiro para lá.
A cidade e os livros. Rio de Janeiro: Record, 2002.






