Quarta-feira, Março 30, 2011

um achado no final do caderno vermelho

quem me vê, vê também o tal caderno vermelho onde eu anoto tudo e depois sinto falta dos lápis de cor ou da função "localizar" para saber onde está o que. no fim de contas acho tudo, porque os registros ficam também nos resíduos das sensações do escrever, então se acha. acha-se muito, quando se escreve. acha-se por achar mesmo, sem muita preocupação com os outros. acha-se também persuadindo, fazendo-se presente nas impressões dos outros; o que, além de perverso, pode também ser bonito. pode ser lindo ser lembrado, mas também é solitária essa coisa do dizer. cria uma expectativa. se alguém diz, tem que dizer sempre, espera-se com entusiasmo a palavra, essa coisa de poeta é rara. mas sem tanta firula, permito-me dizer: abri o caderno vermelho na última página. e o que se segue foi o que eu achei. não sei ainda como separar linha-linha, mas depois eu edito. acho que eu queria escrever uma coisa lânguida, mas o que saiu foi língua.

"Se por ora lírico, fora acidente: as palavras escorreram, fugiram-lhe das mãos e do controle do traço. Perdidas, ocuparam espaços antes brancos e delimitados - escorrendo-se por eles, num aspecto novo. E o poeta, pena, que poderia...? Assistir-lhes o risco e os deslizamentos. E em aparente descontrole, elas, palavras, deslizavam-se umas sobre as outras e misturavam-se - ao que ele, deslumbrado, espantava-se, fingido: linda dança das palavras, jamais repetida."

Vanessa sOares de pAiva. 5-6-10.

1 comentários:

Fernando Alvarenga disse...

ah, a palavra, ave-palavra!!!como é difícil trabalhar com este objeto.