2011 foi um ano mais de estar. começou com chuva, como 2012 começa, e com praia. estive no mar por duas vezes, pois também fui ao rio, ao evento que já é parte da minha agenda, o encontro de literatura contempoânea. cogitei ir para vários lugares, e só cogitei, porque estive-continuei em Itabira, ouvindo as vozes familiares, ouvindo os conselhos, ouvindo os pedidos de estar. dando aulas, que oscilavam em número e valor, pulando de turma em turma, quando deu, quando não deu, com e sem aborrecimentos, e também com tantas alegrias, amor criado e partilhado. lourenço, meu querido escritor, me acompanhou por mais um ano, e estive com ele a revisar, a re-revisar, a conhecer ilustrações, a opinar sobre capas. como eu gosto desse trabalho! pulei daqui-prali, fiz concursos. um deu, outro não deu, e assim foi. estive em ouro preto tantas vezes quanto quis, revi as pessoas, mas também o lugar. o sentimento de estar lá é encorajador e também nostálgico, contemplativo. quando me pego olhando ao longe e vendo mais o de dentro, eu paro, respiro, e mantenho o olhar, tento esmiuçar o que vem em seguida, cogito, repito, crio, invento futuros e desabo o presente. sim, estou. estou lá e aqui, estou em todos os lugares em que pode estar meu coração, as pessoas que desejo perto (e que de fato estão, elas sempre estão perto). cogitei novo curso, comecei um na educação (finalmente), e quero continuar a empreitada, voltar à universidade, embrenhar-me em literatura novamente. não a minha, mas a dos outros. para a minha, tive um propósito recentemente do qual ainda preciso costurar as beiradas. é que encontrei umas cartas, umas cartas bem bonitas, que um dia tiveram resposta. e será que eu, tantos anos depois, conseguiria reconstruir tais estórias? eu já fui tantas, agora eu bem poderia ser mais uma que olha a um si desconhecido, um si que ficou lá atrás, com seus quinze anos. um si que ainda me acompanha mas em nova modelagem. um si travestido. 2011 me desafiou olhar o passado e trazê-lo para o hoje, me reconstruir afetivamente. 2012 me desafia olhar o futuro, olhar lá adiante, lá onde eu nem sei que rumo tem, ou por que direção principia. e aqui estou, e o que faço? vejo a chuva, e reviso mais páginas: um diário.
2 comentários:
Olha que eu gostei disso! E nesse novo, mire o mar! Talvez dele venha algum sinal, um farol, qualquer coisa de sal que lhe faça achar o além de um caminho além da chuva!
Esse é o nosso maior desafio: trilhas internas para descobrir estradas externas. Nada a temer, se nos tornamos faróis de nossa caminhada.
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